Heparina no Dia a Dia Hospitalar: Indicações, Efeitos e Cuidados na Administração
- praticenfgp
- 29 de out. de 2024
- 4 min de leitura
A heparina é um anticoagulante amplamente utilizado na área da saúde, especialmente em ambientes hospitalares, para prevenir e tratar tromboses e outras condições relacionadas à formação de coágulos. É uma medicação essencial em diversos contextos, principalmente em pacientes de terapia intensiva, onde o risco de trombose é elevado. Neste artigo, vamos explorar os tipos de heparina, seu mecanismo de ação, indicações, precauções e efeitos colaterais.
O que é a Heparina?
A heparina é uma substância natural produzida pelo organismo, encontrada em maior quantidade no fígado e nos pulmões, mas também disponível em forma sintética para uso terapêutico. Sua principal função é impedir a formação de coágulos sanguíneos, atuando no sistema de coagulação para garantir que o sangue flua livremente. É dividida em dois tipos principais: heparina não fracionada e heparina de baixo peso molecular.
Heparina não fracionada (HNF): usada em emergências e situações de alto risco devido à sua ação rápida e facilidade de monitoramento.
Heparina de baixo peso molecular (HBPM): apresenta uma ação mais previsível e, geralmente, exige menos monitoramento, sendo utilizada em terapias prolongadas, como na prevenção de trombose em pacientes internados.
Mecanismo de Ação
A heparina atua inibindo o fator Xa e a trombina, que são proteínas essenciais para a formação de coágulos. Ao se ligar à antitrombina III, uma proteína que regula a coagulação, a heparina acelera seu efeito, impedindo a conversão de fibrinogênio em fibrina, substância que forma o coágulo. Dessa forma, o medicamento controla o processo de coagulação, reduzindo o risco de formação de trombos.
Indicações para o Uso da Heparina
A heparina é utilizada em diversas situações, sendo especialmente indicada para:
Prevenção de trombose venosa profunda (TVP): comum em pacientes acamados por longos períodos ou submetidos a grandes cirurgias;
Embolia pulmonar (EP): tratamento de coágulos que se deslocam para os pulmões;
Síndrome coronariana aguda (SCA): em casos de angina instável e infarto agudo do miocárdio;
Diálise e circulação extracorpórea: essencial para evitar coagulação durante esses processos;
Cirurgia cardíaca e angioplastia: auxilia na manutenção da fluidez do sangue durante os procedimentos.
Efeitos Colaterais e Precauções
Embora seja essencial para a prevenção e tratamento de coágulos, a heparina apresenta alguns efeitos colaterais que devem ser monitorados:
Sangramentos: é o efeito adverso mais comum e ocorre principalmente em dosagens elevadas ou em pacientes com predisposição a hemorragias.
Trombocitopenia induzida por heparina (TIH): uma condição em que há redução de plaquetas, podendo aumentar o risco de trombose paradoxal.
Reações alérgicas: embora raras, podem ocorrer em pacientes sensíveis.
O Papel da Heparina na Enfermagem
A administração da heparina exige cuidados rigorosos para evitar complicações e garantir a segurança do paciente. Aqui estão os principais cuidados a serem observados:
1. Escolha da Via de Administração
Heparina Não Fracionada (HNF): é administrada por via intravenosa (IV) ou subcutânea, dependendo da situação clínica.
Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM): geralmente administrada por via subcutânea, e sua aplicação é feita preferencialmente no abdômen, respeitando uma distância de, pelo menos, 5 cm da cicatriz umbilical.
2. Correção e Monitoramento da Dosagem
A dosagem de heparina deve ser ajustada com base em testes laboratoriais, como o Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPa) para a HNF.
O monitoramento regular ajuda a ajustar a dose, prevenindo tanto a formação de coágulos quanto o risco de sangramento.
3. Prevenção de Sangramentos
Verificar sinais de sangramento como hematomas, sangramento gengival, presença de sangue nas fezes ou urina e queda na hemoglobina.
Evitar administrar heparina em pacientes com histórico de hemorragias ativas, úlcera gástrica ou predisposição a sangramentos.
4. Atenção à Trombocitopenia Induzida por Heparina (TIH)
Monitorar a contagem de plaquetas no sangue, especialmente em terapias prolongadas.
A TIH pode ser uma complicação grave, pois aumenta o risco de trombose paradoxal, onde coágulos se formam, mesmo com o uso de heparina.
5. Aplicação Adequada da Injeção Subcutânea
Injeções subcutâneas devem ser administradas sem massagear o local após a aplicação, o que pode aumentar o risco de hematomas.
Alternar os locais de injeção para evitar irritação da pele e o desenvolvimento de nódulos.
6. Atenção ao Uso Concomitante de Outros Medicamentos
Avaliar interações medicamentosas, pois o uso de medicamentos como aspirina, anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e alguns antibióticos pode aumentar o risco de sangramento.
7. Orientação ao Paciente
Orientar o paciente sobre os sinais e sintomas de sangramento e o que deve ser feito em caso de manifestações, como sangramentos prolongados em cortes ou sangramentos nas gengivas.
Orientar a evitar atividades que possam causar traumas ou quedas, uma vez que o risco de hemorragia é elevado com o uso de heparina.
Esses cuidados são essenciais para garantir que a heparina seja administrada com segurança, minimizando os riscos e promovendo os melhores resultados para o paciente.
Considerações Finais
A heparina é uma medicação crítica para o tratamento e prevenção de condições relacionadas à formação de coágulos, desempenhando um papel vital na medicina moderna. O seu uso exige um controle rigoroso e monitoramento constante para evitar efeitos adversos graves. Portanto, a equipe de enfermagem tem um papel fundamental na administração e supervisão do uso de heparina, garantindo segurança e eficácia no tratamento.
Entender as indicações, mecanismos de ação e precauções desse medicamento ajuda profissionais da saúde a tomar decisões informadas e a oferecer o melhor cuidado aos seus pacientes.
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